Estreita é a porta
Por Diego Bonetti
porta

“Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela”. (Mt 7:13-14)

Jesus chama o caminho para o céu de ‘porta estreita’ ou ‘caminho apertado’, porque na prática muito poucas pessoas renunciam ao eu-próprio para procurar a Deus.

Em geral, os homens voltam-se para Deus de coração apenas quando enfrentam situações de dor e sofrimento insolúveis aos seus próprios olhos. No fundo, em seu inconsciente, o homem acredita que pode resolver melhor as questões da vida do seu próprio jeito. Há como que uma batalha silenciosa entre o homem e Deus, na qual aquele resiste em entregar a este o domínio completo do território de seu coração. Somente nas situações em que o homem se vê sem saída à sua própria maneira, pois, é que essa batalha encontra uma trégua, o ‘eu’ é momentaneamente renunciado e Deus pode revelar-se mais clara e diretamente.

Nesse sentido, os problemas exteriormente insolúveis e as situações de adversidade aparentemente injustas e inexplicáveis podem muitas vezes ser um motivo de grande bênção na vida de uma pessoa, desde que sirvam para amolecer as resistências invisíveis que a impedem de se aproximar plenamente de Deus.

Romanos 5:3-5 diz: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado”.

É claro que a vida não é feita só de angústias e dores. E os problemas não são o principal motivo da nossa exultação, muito pelo contrário. Devemos exultar na perfeita fidelidade e na infinita misericórdia de Deus. Como está escrito no Salmo 107:5-9: “Famintos e sedentos, desfalecia neles a alma. Então, na sua angústia, clamaram ao SENHOR, e ele os livrou das suas tribulações. Conduziu-os pelo caminho direito, para que fossem à cidade em que habitassem. Rendam graças ao SENHOR por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens! Pois dessedentou a alma sequiosa e fartou de bens a alma faminta”. Porém, em alguns momentos as dificuldades advêm justamente da (ou do processo de) renúncia do ‘eu’, imprescindível para chegar-se a Deus, segundo as palavras de Jesus. Nesses casos, a estreiteza da porta ou o aperto do caminho, embora incômodos, significam maior proximidade com esse Deus bom e fiel, que nos deseja melhor conduzir, por isso devemos nos gloriar também nessas situações.

Esse mesmo processo pode ser observado no decorrer da história de Israel. E mais uma vez se verá, por ocasião da segunda vinda de Jesus. Oséias 6:1-3 diz: “Vinde, e tornemos para o Senhor, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará. Depois de dois dias, nos revigorará; ao terceiro dia, nos levantará, e viveremos diante dele. Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra”.

Portanto, não nos deixemos persuadir por portas largas e caminhos espaçosos. Porque a porta estreita e o apertado caminho é que conduzem à perfeição do plano de Deus para nós.