Fé em tempos de aflições
Por Diego Bonetti
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Quando os hebreus saíram do Egito, com destino à Canaã, ficaram temporariamente expostos, frágeis, sem um território fixo para se estabelecerem. E mais, além de peregrinos, por todo caminho onde passavam, rumo à terra prometida, andavam em território inimigo… até que, conforme a promessa do SENHOR, viram ruir as muralhas de Jericó.

Semelhantemente, os que buscam ser aperfeiçoados no amor de Deus, na forma ensinada pelo Apóstolo João (1Jo), são como peregrinos em um mundo hostil, aguardando o dia em que serão contemplados em suas verdadeiras moradas.

De fato, o autor do livro de Hebreus, ao falar dos exemplos de fé de Abraão, Isaque, Jacó etc., encoraja os cristãos a esperar convictamente a superior morada celestial, ainda que não se possa vê-la: “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria. E, se, na verdade, se lembrassem daquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade.” (Hb 11:13-16, ARA).

Peregrinando nesse mundo, enfrentamos diversas aflições.

Da mesma maneira em que as tropas de Israel foram afrontadas pelo incircunciso filisteu, durante quarenta dias, até que o gigante fosse finalmente derrubado pelo SENHOR dos Exércitos, as injustiças do mundo, tal qual Golias, afrontam com arrogância os filhos de Deus, até que do alto venha o indubitável livramento. Como diz o salmista: “Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra.” (Sl 121:1-2, ARA).

Ainda que pareça demorar, o Senhor não retarda a sua promessa. Na realidade, a tempestividade da vinda do Senhor é para o nosso próprio bem, a fim de que sejamos plenamente desenvolvidos, à estatura da perfeição de Cristo. De acordo com o Apóstolo Pedro: “Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.” (2Pe 3:9, ARA).

O profeta Habacuque expressou a sua perturbação quanto à temporária prevalência da injustiça dos opressores: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele?” (Hc 1:13, ARA). O próprio Habacuque, porém, traz a resposta: “Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé.” (Hc 2:4, ARA). E mais: “O SENHOR, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.” (Hc 2:20, ARA).

Que possamos ter paz em Jesus, como ensina o Evangelho de João: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu (Jesus) venci o mundo.” (Jo 16:33, ARA).

Com efeito, no kairós perfeito de Deus tudo já foi consumado. Está escrito no livro de Apocalipse: “Depois destas coisas, ouvi no céu uma como grande voz de numerosa multidão, dizendo: Aleluia! A salvação, e a glória, e o poder são do nosso Deus, porquanto verdadeiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande meretriz que corrompia a terra com a sua prostituição e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos.” (Ap 19:1-2, ARA).

Ajuda-nos, pois, Espírito Santo, a nos alegrar no SENHOR, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide, como orou Habacuque.

Porque não esperamos da terra o nosso sustento nem confiamos em carros e cavalos as nossas lutas.

O nosso Deus é o SENHOR, em quem exultamos. O Deus da nossa salvação é a nossa fortaleza, que faz os nossos pés como os da corça, e nos faz andar altaneiramente.