Não há mais véu
Por Diego Bonetti
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Nos tempos do êxodo, quando os filhos de Israel peregrinavam no deserto, levantou-se o tabernáculo¹, segundo ordenara o Senhor a Moisés. O tabernáculo era composto de três compartimentos: a) o Átrio Externo; b) o Santo Lugar; e c) o Santo dos Santos, onde permaneciam a Arca da Aliança (que simbolizava a presença de Deus e continha as Tábuas da Lei, a Vara de Arão e o pote de maná) e o Propiciatório (a tampa da Arca). Para separar o Santo Lugar do Santo dos Santos, havia um espesso véu, feito de estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino retorcido, suspenso sobre quatro colunas de madeira. Uma vez por ano, o Sumo Sacerdote atravessava o véu para falar com Deus e aspergir o sangue de animais para a remissão dos pecados seus e de todo o povo (Êx 26:31-33; Lv 16).

O mesmo véu houve no Templo de Jerusalém, construído por Salomão quatrocentos anos depois (1Rs 6) e no Segundo Templo, reconstruído em 516 a.C, após o retorno do cativeiro na Babilônia (Ed 6:13-18).

Quando, porém, Jesus entrou no Santo dos Santos e a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, o véu do santuário se rasgou para sempre, estabelecendo-se o sacerdócio perfeito e imutável de Cristo (Mt 27:50-51; Hb 7:11-28 e 9:11-28).

Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés. Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados. E disto nos dá testemunho também o Espírito Santo; porquanto, após ter dito: Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei no seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei, acrescenta: Também de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e das suas iniqüidades [sic], para sempre. (Hb. 10:12-17)

Por intermédio de Cristo, o definitivo Sumo Sacerdote, todos podem achegar-se pessoalmente a Deus, sem a necessidade de novos sacrifícios de sangue.

A fé em Jesus é o único véu que subsiste para a aproximação de Deus, porque Ele é o vivo caminho para o Pai (Jo 14:6; Hb 11:6).

A conclusão a que chegamos até aqui não é nova, entretanto, cabe um acréscimo: em tempos de adversidades, as quais o Pai permite para o nosso crescimento espiritual, Satanás tenta incutir falsos véus em nossas mentes. Contudo, sem sombra de dúvidas, tais não passam de falsos véus, porque não há nada que separa o crente em Jesus da presença de Deus.

Para os crentes em Jesus, portanto, não há mais véu.

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1 – O tabernáculo era uma espécie de tenda de cortinas grossas e serviu como templo portátil aos israelitas desde o Êxodo no deserto até os tempos do Rei Davi.