Um vaso nas mãos do Oleiro
Por Lucia Pandeló

mc3a3os

Nasci no Rio Grande do Sul, em uma família católica, extremamente religiosa e devota de Santo Antonio. Isso por causa da minha avó, que ao se mudar para a cidade de Vacaria, encontrou uma capela abandonada. Ela pediu para a dona do terreno dar aquele santo para ela levar e deixá-lo em casa, virado para a rua. Nessa época de junho, toda a minha família faz a “trezena” do Santo Antonio, ritual que mobiliza toda a cidade.

Por conta disso, fiz quatro anos entre pré-Crisma, Crisma, pré-Eucaristia, Eucaristia, etc. O mais interessante foi quando eu descobri que a oração do Pai Nosso estava escrita na Bíblia e eu não sabia, assim como os Dez Mandamentos. Isso me chamou muito a atenção e eu queria saber mais sobre o que estava escrito na Bíblia, mas a minha mãe dizia que não podia. No entanto, essa curiosidade de conhecer a Palavra de Deus começou quando eu tinha 12 anos de idade.

Quando eu era criança, eu não gostava de “rezar” da forma como eu aprendi na Igreja Católica. Eu gostava mesmo era de conversar com Deus. Como eu não conhecia Jesus como o nosso Intercessor, eu orava diretamente a Deus, o Pai, ou seja, eu não orava em nome de Jesus.

Algum tempo depois, eu me afastei de tudo. Não queria mais orar e achava que Deus era uma bobagem. Depois que eu entrei na faculdade de Psicologia, meu distanciamento de Deus ficou maior ainda. Ali, entre os docentes e os estudantes, a religião era considerada um amuleto e eu não precisava disso. Até terminar o curso, eu não queria saber de Deus, independentemente da religião. Só que depois da faculdade, já formada, eu sentia um vazio muito grande na minha alma. Eu me sentia incapacitada de ser uma psicóloga porque eu achava que uma psicóloga tinha que ser perfeita, sem nenhum problema, para que ela pudesse ajudar os outros a resolver os seus próprios problemas. Foi aí que eu comecei a sentir esse vazio e a necessitar de Deus. Eu busquei a Deus em várias religiões, mas não encontrei.

O que mais me chama a atenção no meu testemunho de vida, é que até os 27 anos de idade ninguém nunca havia me falado de Cristo. Eu não O conhecia como o meu Salvador, como Aquele que venceu a morte. Eu conhecia Jesus como alguém morto na cruz. Eu gostaria de salientar que muitas vezes a gente se cala, não fala de Jesus da maneira correta para as pessoas. Nós falamos de Jesus de uma maneira muito superficial ou muito corriqueira, como por exemplo: “Deus te abençoe”, “Jesus vai te ajudar”, mas não explicamos que Ele realmente morreu e ressuscitou e que Ele é o nosso Salvador.

Foi apenas quando eu conheci meu marido que eu comecei a ouvir falar de Jesus. Ele falava de Cristo de uma maneira muito clara pra mim e foi muito fácil e rápido eu compreender que Jesus é o meu Salvador, que ele morreu na cruz pelos meus pecados. A minha sede era muito grande!! Eu não sei quantas pessoas que já conheciam Jesus passaram pela minha vida e não falaram nada, por isso hoje eu sinto a necessidade de dizer o quanto isso é importante.

No entanto, foi depois de alguns anos, quando eu já estava casada e com meus dois filhos, que a minha vida mudou realmente. Como eu sou a caçula, sempre fui muito “pararicada” e este paparico me levou a ser uma pessoa orgulhosa…tudo tinha que ser do jeito que eu queria. Mas, já conhecendo Jesus e vivendo a Verdade através da Bíblia, Deus começou a me moldar e a me santificar. Ele tirou esse orgulho de mim e a soberba de achar que eu estava acima das pessoas (era assim que eu me sentia).

Tudo isso se deu na construção da nossa casa. Nós já tínhamos uma casa própria muito boa, mas resolvemos construir uma casa maior, num terreno de 1000 m² em condomínio fechado. No entanto, assim que a obra começou, Deus iniciou uma obra em mim também porque nada aconteceu de acordo com os nossos planos, mas segundo os planos dEle. A cada tijolo levantado, Deus me quebrantava mostrando que eu era egoísta, mimada. Comecei a perceber que eu não enxergava as pessoas, que eu não sabia orar por elas, pois eu me colocava em uma posição superior. E era uma cegueira, pois eu não percebia isso. Eu achava que eu era “boazinha”, quando na verdade eu era soberba…só enxergava as minhas próprias necessidades.

Esse período foi muito difícil. É muito bonito ler aquele versículo que diz em Jeremias, capítulo 18 versículo 4: “Como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer”. Mas se você é este “vaso que está sendo quebrado”, é doído demais. Porém, Deus é amor e Ele cuida de nós.

Resultado: o Senhor não nos deixou morar naquela casa e nós fomos para Curitiba. Nesse período, eu já estava bem “quebradinha”. Acho que não havia sobrado nada deste “vaso” e eu estava profundamente triste, quando um dia, indo à padaria pensando em tudo o que estava acontecendo (era um mixto de reclamação com Deus, de murmuração)…eu dizia: “não agüento mais”! Eu comprei o pão, mas era como se eu não estivesse ali presente. Eu estava envolvida nos meus pensamentos, falando com Deus. Quando estava voltando, a pé, parou um carro e desceu uma mulher muito bem arrumada, maquiada. Ela veio na minha direção e disse assim: “olha, eu nunca fiz isso, mas Deus mandou te dizer que te ama”. Eu senti um carinho muito grande de Deus comigo. Mesmo quando estamos passando pelo “deserto” , Ele não nos desampara em nenhum momento.

Depois daquele “abraço” do Senhor, veio a fase da restauração interna. Ele começou a me moldar do jeito que Ele sonhou que eu fosse. Eu conheci um grupo de mulheres, de estudo bíblico, onde eu pude ouvir a Palavra de uma maneira restauradora na minha vida, e foi muito gratificante esse período lá. Passado esse tempo, Deus me trouxe para São Paulo novamente.

Hoje eu vejo a mão do Senhor na minha vida, pois Ele não apenas me salvou me dando vida eterna, mas me modificou, me fez conforme os pensamentos dEle, pois os pensamentos que o Senhor tem de nós são muito maiores do que nós temos de nós mesmos. Vale a pena ser “quebrantada” por Deus!!
Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Isaías, capítulo 55 versículo 8.

Deus abençoe a sua vida!!

A coluna Edificados pela Rocha é escrita por membros da Igreja Batista Maanaim e toda a sexta-feira apresenta um testemunho novo para glorificar o nome de Deus. O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e que informe os créditos de autoria. Em caso de dúvidas, contate a Igreja Batista Maanaim. Redigido e revisado por Dimig Alessandra Seidenberger de Almeida.