Nos planos de Deus
Por Denise Campano

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Meu pai era um cristão desviado do Evangelho e minha mãe veio de uma tradição católica. Na minha infância, ele foi para o espiritismo e eu cresci, portanto, com os princípios da religião espírita. Rapidamente, tanto meu pai como minha mãe estavam bastante envolvidos na doutrina kardecista, lendo todos os livros que falavam a respeito do assunto. Assim mesmo eu passei pelos mesmos rituais que as crianças passam na igreja Católica, como 1ª Comunhão, por exemplo.

Nós tínhamos vizinhos evangélicos, dos dois lados da nossa casa. Eles freqüentavam a Igreja Batista. As filhas dos nossos vizinhos, que eram pequenas como eu, me convidavam para ir à igreja com elas, pois havia concurso naquela época e elas precisavam levar visitantes. Eu gostava muito de ir…meus pais sempre deixavam e eu gostava bastante de estar naquela igreja. Mas meu pai debochava muito dos crentes e sempre me dizia: “você pode ir, mas se tiver aquela história de entregar o coração pra Jesus e você entregar, eu faço você buscar”.

E eu ouvia o apelo, me sentia tocada todas as vezes a entregar o coração para o Senhor, apesar de não entender o que isso significava, e voltava para casa. Meu pai acabou se envolvendo com  alcoolismo e minha família era muito sofrida, mas conformada porque aprendeu a aceitar os problemas como algo natural. Foi uma fase triste demais para nossa família.

Mas Deus mudou a nossa história. Um certo dia, meu pai chegou em casa com a chave de  uma casa nova comprada. Ninguém entendeu nada e ele disse: “eu passei só pra ver esse empreendimento, tive a documentação aprovada e já estou com a chave – vamos nos mudar”. Foi um susto, pois não tínhamos essa intenção porque já morávamos em uma casa muito boa. Enfim, no mesmo ano nos mudamos.

Para nossa surpresa, ao mudar para o novo bairro, as nossas antigas vizinhas crentes, que já tinham se mudado há alguns anos da outra casa, estavam morando do nosso lado novamente. Foi uma alegria muito grande! Elas começaram a convidar crianças do bairro para aprender a Palavra de Deus e meu irmão, que tinha apenas 5 anos de idade, freqüentava essa “escolinha”, como eles chamavam, e foi assim que ele se converteu. Ele trazia versículos bíblicos para casa e espalhava pelo quarto. Dessa maneira começamos a ter contato com a Bíblia Sagrada.

Morando na casa nova, era chegado o momento de procurar outro centro espírita para freqüentar, já que tínhamos mudado de região. Minha mãe conseguiu alguns endereços e nós íamos quando havia sessão. Mas, em secreto, ela falava para Deus: “se essa for a verdade, que o Senhor me mostre um local para freqüentar, mas se esse não for o teu caminho, que as portas estejam fechadas”. Uma vez nós chegamos a bater na porta e alguém disse assim: “hoje a porta está fechada”.  A gente foi embora, mas minha mãe não contou o que tinha falado para Deus.

E toda vez que acontecia isso conosco na porta do centro, no dia seguinte de manhã, quem aparecia em casa? A vizinha evangélica. Um dia minha mãe comentou com ela que vinha falando com Deus e a vizinha acabou abrindo todo o plano da salvação, e mostrou na Palavra de Deus que temos uma única vida.

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo”… (Hebreus capítulo 9 versículo 27)

Depois dessa experiência, minha mãe convidou toda a família para ir à igreja no domingo seguinte. Meu pai também aceitou porque ele lembrava das coisas que ouvia quando criança. No fundo ele sabia que os princípios da Palavra de Deus eram verdadeiros. Nessa época eu estava com 15 anos.

Quando chegou o domingo, eu me levantei e chamei minha mãe porque eu não estava passando bem. Minha vista escureceu e eu desmaiei. Nunca havia sentido nada, nem tido alguma doença…foi a maior correria para me levar para o hospital. Ninguém entendia o que estava acontecendo. Quando cheguei lá, os médicos me examinaram e não deram nenhum diagnóstico. Disseram que deveria ser um simples mal estar e que eu poderia voltar para casa. Aí minha mãe disse assim: “então ainda dá tempo de ir para a igreja”. Foi ela acabar de dizer e eu desmaiei outra vez. Todo mundo ficou muito assustado e eu precisei ficar no hospital em observação e só voltei para casa à noite.

Não dava mais tempo de ir para a igreja e então, eu não tive mais nenhum mal estar. No outro dia, a vizinha ficou sabendo do que havia acontecido e disse que já sabia do que se tratava (o por quê eu havia passado tão mal) e que ia pedir oração para os irmãos na igreja durante aqueles dias.

Na semana seguinte nós todos fomos ao culto, em família, e eu não tive nenhum sintoma, pois o problema era espiritual. Quando chegamos lá, estava tendo um momento evangelístico na escola dominical e eu me lembro muito bem do pastor pregando e dizendo que é muito ruim perder a saúde, os bens, mas o pior mesmo é perder a alma. E ele fez o apelo para quem queria entregar a vida a Jesus. Naquele dia eu entendi perfeitamente o significado desse gesto.

Só que eu me lembrava daquela ordem do meu pai que eu não podia entregar o coração para Jesus. Eu estava sentada do lado da minha amiga e atrás dos meus pais, e quando terminou o apelo, o meu pai olhou pra mim e disse: “se você quiser entregar sua vida pra Jesus, você pode!”

Até hoje eu me emociono muito quando me lembro desse dia. Ele olhou para trás, chorando, e com a aprovação dele eu pude realmente confessar a Jesus como meu Salvador. Eu fui à frente e quando o pastor me recebeu, meus pais e meu irmão estavam ali e toda a minha família fez a oração de confissão. Realmente o Senhor mudou a nossa história.

Deus “trabalhou comigo” a minha infância e adolescência inteiras, me dando tantas oportunidades de poder entregar meu coração, mas como eu tinha aquela determinação do meu pai, ficava impedida de seguir o caminho de Jesus. Mesmo assim, o Senhor me amou acima de tudo.

“Nós o amamos porque Ele nos amou primeiro.” (I João capítulo 4 versículo 19)

A conversão do meu pai demorou ainda mais alguns anos para se concretizar, mas Deus, que é fiel, salvou a minha família inteira. É maravilhoso seguir a Jesus!!

A coluna Edificados pela Rocha é escrita por membros da Igreja Batista Maanaim e toda a sexta-feira apresenta um testemunho novo para glorificar o nome de Deus. O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e que informe os créditos de autoria. Em caso de dúvidas, contate a Igreja Batista Maanaim. Redigido e revisado por Dimig S. de Almeida.